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"Falta mais ação na questão ambiental em Itapevi" PDF Imprimir E-mail
Escrito por Papa   
Dom, 10 de Julho de 2011 23:14

Entrevista_jornal_Alternativa

Aos 24 anos ele já fundou uma ONG e luta pela preservação ambiental. Nosso entrevistado da semana é Fernando Papa, estudante de direito e sócio fundador da ONG Projeto Semente, que completou recentemente 4 anos de atuação. Ele fala sobre os desafios na preservação ambiental e os avanços e retrocessos do Brasil nessa questão. Para Papa, um dos maiores desafios ambientais em Itapevi passa pela falta de vontade política. Ele cutuca a administração municipal e deixa o recado: “A SEMA de Itapevi é inerte e deveria nos convidar para trabalhar pela cidade”.


Fale um pouco sobre sua trajetória na cidade de Itapevi. Nasceu aqui? Qual sua formação?


Minha mãe tem uma residência comprada pela herança do meu avó desde 1958 - um ano antes da emancipação de Itapevi. Então a família chegou ainda em Cotia (risos). Eu tive o primeiro contato com a cidade em 1996 quando a Luiza - minha mãe, decidiu retornar para cuidar de uma questão de saúde familiar. Nasci em São Bernardo do Campo, sou estudante de direito e sócio fundador da ONG Projeto Semente.

 

Quando e por que surgiu a ideia de abrir uma ONG Ambientalista?


A ideia nasceu em 2006 acompanhando um programa na TV Cultura chamado Balanço Social. Na verdade nossa atuação ambiental veio antes disso, em 2001 durante a construção do aterro sanitário em Itapevi. De 2001 até a fundação oficial da ONG Projeto Semente em 5 de junho de 2007 passamos por diversas instituições. Ao pesquisar em 2007, não encontramos nenhuma ONG em Itapevi a tratar das questões socioambientais. Hoje, completamos 4 anos recentemente, somos reconhecidos e a cidade só conta com o nosso trabalho na área ambiental.

 

Quais os principais desafios que uma instituição como essa enfrenta?

O principal desafio é conquistar novos colaboradores envolvidos, que não usem a instituição como trampolim. Nesse quesito, as ONGs ficam desacreditadas o que dificulta o trabalho das ONGs sérias. No Brasil, são 328 ONGs de Meio Ambiente mais atuantes segundo o Anuário Análise Gestão Ambiental para mais de 5.560 municípios. Imagine o tamanho do desafio. Dessa forma prefiro seguir a frase: Sócio é sempre bom em número impar e três é demais!

 

Há falta de incentivo na cidade de Itapevi para iniciativas do Projeto Semente?

Infelizmente sim. Justamente nessa falta de apoio em Itapevi que o Projeto Semente cresce, pois ampliamos nosso trabalho em outros segmentos. Com o lançamento do site www.projetosemente.org.br pela Infotech Informática conseguimos algumas alianças comerciais importantíssimas. Ao receber as estatísticas do site, notei que o site atingiu 81.039 páginas visitadas em maio e 66.513 em junho e visualizações em 15 países fora o Brasil. Isso é extremamente gratificante e valioso.

 

Itapevi tem uma grande área verde, incluindo áreas de APP que correm o risco de serem devastadas pela exploração industrial e imobiliária. O que pensa sobre a atuação das autoridades ambientais no município?

 

Vou usar o que já falei durante exposição recente na Câmara de Itapevi. A SEMA de Itapevi é inerte e deveria nos convidar para trabalhar pela cidade. Nossa cidade não tem uma política ambiental nem de estado nem de governo. Por isso que não vamos pra frente. O executivo pouco faz ou nada faz para manter uma Itapevi saudável ambientalmente. Conheço vários estados e municípios e sempre quando volto para cá, fico envergonhado.

 

Há a ideia de se proibir o uso de sacolas plásticas no município, com um projeto que já chegou a ser apresentado mas saiu da pauta. Existe intenção de fazer uma pressão para que isso seja aprovado?

Fizeram o mesmo em São Paulo e o Tribunal de Justiça cassou em medida liminar, sustando o efeito. Antes de fazer pressão, o importante seria reunir todos os empresários do ramo em Itapevi. Como essa é uma tendência que veio para ficar por muitos anos e tem apoio da Associação Paulista de Supermercados, ambientalistas, clientes, enfim é só implementar. A lei serve para subsidiar e tornar referência pública. O sucesso parte da motivação empresarial com cunho ambiental do assunto, só assim prospera. Antes da lei, essa é uma questão socioeducativa e ai sim temos papel estratégico no município. Basta que as portas do Executivo se abram. No Legislativo mantemos um ótimo contato com os parlamentares.

 

Há algum trabalho direto da ONG voltado para essa questão em Itapevi?

Em 2008 realizamos duas edições (150 unidades cada) das sacolas feitas com tecido 100% pet retornável. Foi um trabalho de sensibilização e divulgação. É gratificante ver que três anos depois as sacolas continuam úteis.

 

Na sua opinião, houve avanço na questão ambiental no Brasil?

O avanço no Brasil veio com a Agenda 21, há 20 anos atrás. Em março sobrevoei o estado do Pará na região norte do país e percebi que não há o que fazer. Não vai restar nada das nossas florestas. Tudo está queimando e é de chorar! O que não percebem é que a floresta vale mais em pé, não queimada. O grande empresário, agricultor, madeireiro, não pensa nisso. Falta fiscalização e os recursos são "mal utilizados". O Alternativa publicou semana passada que seremos 7 bilhões até o final do ano. Em 2050 teremos um mundo insustentável.

 

O que pensa sobre a mudança no código florestal brasileiro?

O deputado federal Aldo Rebelo do PC do B centralizou as decisões como relator e abriu mão a favor dos ruralistas. Aprovado do jeito que está no Senado ou sem o veto total ou parcial da presidência da república, essa será uma grande derrota internacional para a presidente Dilma que ganhou muitos votos defendendo a causa. Aliás dois ministro já caíram em um mês, tem algo estranho e não preciso falar o que!

 

Como analisa a saída de Marina Silva do Partido Verde? Uma vez que nas eleições de 2012 a questão ambiental pode ficar enfraquecida no debate político.

Olhando de fora dá a impressão que o Partido Verde é antidemocrático. Não souberam contornar adversidades internas coordenadas pelo autoritarismo. Votei em Marina, 43 e não no PV. Não acredito que ficará enfraquecida, pelo contrário. Os outros partidos têm explorado mais o tema, mesmo que de forma ambígua. Tem muita gente que se diz verde e não é, usa o marketing para se beneficiar, cabe ao cidadão e eleitor ficar atento ao longo dos quatro anos para ver quem trabalha.

 

Publicado originalmente no Jornal Alternativa, edição 367 - de 9 a 15 de julho de 2011.

Última atualização em Sáb, 06 de Agosto de 2011 19:19
 

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