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| A arte de manusear a própria profissão e fazer da autonomia uma saída para os problemas |
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| Escrito por Papa |
| Dom, 11 de Julho de 2010 10:52 |
Sensibilidade, dedicação e um olhar capaz de perceber todo e qualquer estímulo externo e transformá-lo em arte... Estas são as características essenciais para se identificar um artesão, uma profissão que imprime a compreensão do que é real em materiais diversos, trabalhados com as próprias mãos ou, sem a participação de tecnologia. Um ofício tão antigo quanto o nosso primeiro contato com a pedra, quando aprendemos a polila, cerca de 6.000 anos antes de cristo.
Apesar da antiguidade do ofício, o artesanato sofreu processo de abandono e desqualificação com a chegada da Revolução Industrial onde, a idéia difundida, demonstrada os grandes benefícios que a máquina poderia gerar, como a agilidade do processo de construção, por exemplo, que afastou a reprodução do cotidiano, tal qual ele deveria ser visto, do público.
Quadro da profissão
O panorama da profissão se tornou ainda pior quando foi associada às tarefas realizadas por pessoas de baixa renda, principalmente com o fortalecimento da era capitalista, e pelo endosso da discussão sobre quais são os adjetivos necessários a um artísta. Mas nenhuma destas situações abateram os artesãos, que nunca deixaram de exercer seus conhecimentos, geralmente passados para aprendizes ou de pai para filho e, hoje, estão, cada vez mais, presentes no mercado.
História de vida
Este é o caso da artesão Josefina Luiza Rodrigues Papa (carinhosamente conhecida na cidade como Fifa), que começou a dar vasão a sua criatividade ao aprender a transformar tecidos e retalhos, aos oito anos de idade. O aprendizado foi iniciado por uma professora do colégio, em aulas particulares, onde da delicadeza nata teceu as primeiras toalhas de renda renascença: "Ela me descobriu. Acho que percebeu que, talvez, eu tivesse uma vocação a mais", diz Fifa. Não custou muito para que incorporasse o novo saber em suas brincadeiras. E, como diversão, a habilidade transformou-se em trabalho, agregando ao novo ofício a inspiração trazida pelo pai, o artísta plástico Luiz Rodrigues Papa.
O artesanato se desenvolveu de acordo com suas experiências e necessidades. Primeiro vestiu seus próprios filhos, depois presenteou os amigos deles, e até confeccionou roupas para bonecas Barbie, repetindo os modelos vestidos por formandas, o que a levou a participar de um concurso beneficente que escolhia a boneca mais ricamente vestida, durante dois anos, em Boituva, na festa de São Roque, padroeiro da cidade, o que a tornou uma modista.
Mas o trabalho que trouxe a Fifa reconhecimento foi a criação de bonecos de pano, retomado em 1996, quando regressou a cidade. Os Encantados, como Fifa gosta de definir, são o espelho de como a artesã observa e revela a vida, em busca constante de uma maior participaçãoda arte no cotidiano de todos: "A arte meche com a estrutura do ser humano, ela desenvolve a delicadeza que costumamos esquecer ao longo dos anos", afirma.
Tal empenho e coragem levaram-na, junto ao seu filho, Fernando Papa, a idealizarem o Projeto Semente, uma organização não governamental que busca debater as questões ambientais através da cultura, ensinando aos jovens como criar os bonecos temáticos a partir do descarte das empresas têxteis da região.
Mesmo com o salto no mercado de trabalho, que não corresponde, diretamente, com a satisfação de exercer a profissão escolhida por muitos, Fifa se diz satisfeita, ou melhor, acredita ser uma pessoa feliz por trabalhar com aquilo que lhe dá prazer e, ainda, a capacita a ensinar aos jovens a riqueza da arte.
Quais são as principais dificuldades que os artesãos enfrentam?
"Inicialmente, a primeira dificuldade é a questão financeira. Quem produz arte depende do interesse de compra de uma outra pessoa, e nos dias de hoje, poucos têm disponibilidade financeira para compra de artigos, considerados, de antemão, supérfluos.
Em segundo lugar, podemos dizer que houve um crescimento muito grande na área - só no Estado de São Paulo são mais de 50.000 artesãos cadastrados, por exemplo -, e uma infraestrutura que não comporta a criação de espaços para feiras e exposições. Apesar das iniciativas positivas do Sebrae e da Sutaco (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades do Estado de São Paulo), elas não conseguem atender a toda a demanda existente, que geralmente é discriminada quando está fora de seu próprio município, já qie se entende como artesanato a arte de um determinado local.
Tudo ficaria mais fácil, se alguns setores da Administração Pública tivesse um maior conhecimento do assunto e planejassem projetos e parcerias", afirma.
Texto: Vivian Avellar Fonte: Jornal Alternativa, 15/3/2008 |
| Última atualização em Sáb, 06 de Agosto de 2011 23:28 |

















